A República, para mim, é o maior clássico e o mais importante texto, melhor ainda, é o texto fundador da filosofia. Um texto que fala da Filosofia Política. Platão, quando escreve A República, está preocupado com a cidade justa. Ele tenta mostrar utopicamente como seria uma cidade justa. E diferente de todos os outros livros até então, ele começa com uma pergunta.
O que é justiça?
Ao contrário de Sócrates, que nunca dava respostas às perguntas, Platão então coloca suas respostas nas perguntas de Sócrates.
Na Alegoria da Caverna, Platão tenta mostrar aos seus alunos que o saber consiste em o ser humano ficar livre das correntes que o condenava a ignorância. O ser humano está de costas para a saída da caverna, por isso só enxerga a própria sombra.
Os homens são como escravos, presos numa caverna e “obrigados” a ver ao fundo, apenas as sombras de um fogo que arde do lado de fora. Tomam essas sombras pela realidade porque não conhecem outra.
Quando um deles consegue se libertar e visualizar a realidade externa, a luz ofusca sua visão, o sol o deslumbra. Somente aos poucos e com dificuldade ele consegue adaptar-se à nova realidade, percebendo que o mundo em que vivera até aquele momento era irreal, feito apenas de reflexos e sombras do mundo verdadeiro. Se ele voltar e tentar convencer os outros que ainda estão acorrentados, corre o risco de ser incompreendido, pagando até com a vida.
Esse tipo de erro, de ilusão, é chamado filosoficamente de erro metafísico porque é uma ilusão que quando você fica sabendo que é uma ilusão, não adianta nada, você não sai da ilusão. É diferente do erro psicológico, onde você erra uma conta de matemática, o professor aponta o erro e o erro passa a ser corrigido e você sai do erro.
O erro metafísico é diferente, você é avisado, mas continua. É como no filme Matrix, não adiantou as pessoas ficarem sabendo que elas estavam dentro de uma máquina na Matrix porque a ilusão continua vigente. A ilusão para eles, que estavam na Matrix, era tão forte, era tão real, que eles continuam iludidos mesmo sabendo que elas não passavam de ilusão e faziam da ilusão a sua realidade.
Na nossa vida isso também acontece. Quantos erros são apontados e algumas pessoas continuam, não adianta nos avisar do erro que ele não desaparecerá. A finalidade da filosofia não é apontar erros, resolver problemas e eles desaparecerem.
Nesses mais de 25 séculos, esse tem sido o papel da filosofia, tentar nos avisar de coisas que mesmo avisadas não conseguimos sair delas.
Algumas pessoas vivem num mundo de ilusões achando que aquilo que estão vivendo é a realidade e, com medo de acordar, vão tocando suas vidas e, quando acordarem, poderá ser tarde demais.
Pense nisso!
Estamos juntos
Beto Colombo
_______________________________________________________________
Artigo publicado no Jornal A Tribuna no dia 01/04/2010.
Beto Colombo ©. Todos os direitos reservados
Desenvolvimento Burn web.studio