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Beto Colombo

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Fiar – com, isso mesmo, confiar nada mais é do que fiar com agulha com outra pessoa.

Carlos Drumond de Andrade escreveu que “a confiança é um ato de fé, e esta dispensa raciocínio”.

No Caminho de Santiago de Compostela vemos, em muitas igrejas, bancas de livros e uma caixa de papelão com os dizeres: pegas o que necessitas e pague aqui. Isso mesmo, você compra os livros e deixa o dinheiro numa caixa de papelão e não tem ninguém para conferir ou vigiar. Os padres e as freiras confiam nos compradores.

Lembro-me quando eu ia no armazém do Seu Vitório fazer compras com a caderneta. Tanto a mãe confiava no seu Vitório, tanto este confiava em nossa família. Que legal!

Nos EUA não entendia aquelas caixas automáticas que vendem jornais. É só colocar uma moeda e a tampa se abre, você pega seu jornal e vai embora, e se você pegar mais que um não tem problema, porque não tem ninguém para vigiar ou conferir, eles confiam nos compradores.

Na Finlândia existe uma sociedade que tudo parece funcionar, desde ruas limpas até os horários que são cumpridos a risca, e todo ficam tranqüilos, pois sabem que o combinado vai ser cumprido. Eles confiam nos processos.

Verificada a história, descobrimos que a Finlândia, após a 2ª Guerra Mundial, ficou pressionada entre a Europa e a União Soviética. Os finlandeses escolheram o caminho do consenso, do equilíbrio, desde então foram governados por coalizões entre partidos de todos os credos políticos. As eleições são feitas sem mentiras, não distorcem verdades tentando quebrar a confiança no partido da oposição. E vice-versa.

É comum ver governo, empresários e sindicatos conversando civilizadamente para buscar entendimento. A Finlândia é uma sociedade baseada na confiança, “eles confiam nos seus processos”, nas transparências das transações, nas leis tratando todos por igual.

Nós aqui não confiamos em processos, quando muito confiamos nas pessoas. Precisamos de um líder virtuoso ao qual atribuir poderes e direito, ou seja, um líder que leve todos ao paraíso. Isso é muito perigoso, pois “confiança é um ato de fé e dispensa raciocínio”.

Será então que os finlandeses não raciocinam? É claro que raciocinam e raciocinam tanto que confiam primeiro nos processos e sabem que as leis naquele país são cumpridas, seja lá quem for o governante e os fora da lei são punidos.

Será que na Finlândia também tem os do “dar um jeitinho”? Talvez sim, mas tenho certeza que lá essas pessoas são tratadas como exceção.

Hoje estamos diante de uma crise internacional e o verbo confiar precisa ser conjugado. Você confia no governo da sua cidade? Você confia no governo de seu Estado? Você confia no governo do seu país? Você confia no seu gerente? Você confia nas leis? Você confia no seu diretor? Você confia nos nossos processos, nas nossas leis, na transparência das transações? Afinal, em que você confia?

Eu sou Beto Colombo e hoje acredito nisso.

Artigo publicado no Jornal A Tribuna em 11/11/08.

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1 Comentários para "Com-fiar"

  • dany - 27/11/2008

    Basta olhar nos seus olhos, ver o teu sorriso, te dar um abraço que logo já sei quem és..., confio apenas no meu extinto e me aproximo apenas de pessoas legais ...é um tipo de proteção espiritual...só me chegam os convidados, eu sou uma escolhida!!! parabens pela volta oa jornal, agora posso começar a ler pela frente

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