A conclusão do dia foi essa: Não devemos nos apegar a nada, nem rejeitar nada. Tudo pode, parafraseando Aristóteles Onassis, e realmente tudo pode, desde que não prejudique a si, aos outros ou a natureza.
Isso imediatamente leva-me ao final dos anos 90, quando implantamos a certificação da ISO 9002 em nossa empresa e, empolgados e inexperientes, fizemos tantas regras que quase inviabilizamos a empresa. Era procedimento para isso, procedimento para aquilo, que a impressão que se tinha naquele momento é que estávamos criando uma empresa para complicar a vida dos outros.
– Isso é do meu setor e não se meta! – ouvia-se pelos corredores.
Criamos tantas regras que passamos a ficar reféns delas. Lembrei-me das discussões entre Jesus e os fariseus, em que os fariseus defendiam a lei e Jesus dizia que o homem era mais importante que as leis.
Para Jesus, a regra, a lei, é salvar o homem, e ele deixa claro quando opera um milagre no sábado, sagrado para os Judeus (Lc 6–2). “Por que vocês estão fazendo o que não é permitido em dia de sábado?” – questionavam os fariseus. Ele tanto operou milagre quanto colheu espigas nesse dia, pois dizia ele que a coisa certa sempre estava acima das regras da lei. Apareceram, nos últimos tempos, empresas complicadas, cheias de nove horas.
O termo cheio de nove horas é do século XIX, quando o Brasil adotou o horário de 9 horas da noite como adequado para interromper uma visita, um papo ou qualquer diversão e ir para casa. Esse costume veio de outras culturas e disseminou-se aqui, tornando-se lei. Naquela época, no regulamento do serviço policial havia, inclusive, um dispositivo que preceituava revistar, até prender alguém que fosse pego na rua depois das 9 horas da noite. Dado o exagero legal, surgiu a adjetivação: “cheio de nove horas” para o sujeito cheio de regras.
Essas empresas surgiram e desapareceram na mesma velocidade, pois do ponto de vista do cliente, quanto mais simples melhor.
A música Nove hora! Nove hora! Quem é de dentro, dentro. Quem é de fora, fora!, criada no século XIX, não deveria fazer parte do repertório de nenhuma empresa nem de ninguém, pois, se nossos procedimentos estão travando nosso crescimento, é sinal de que essa rima não rima. É um retrocesso, e retrocesso não rima com sucesso. Nesse caso, o melhor é deixarmos de ser “cheios de nove horas” e, quem sabe, adotarmos a canção que diz: “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.
Eu sou Beto Colombo e hoje acredito nisso.
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Artigo publicado no Jornal A Tribuna e, 17/12/2009.
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