O Novo e o Velho
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Querido leitor, nas organizações humanas, talvez o grande dilema que atravessa gerações seja a convivência do novo, que é geralmente implacável, com o velho, que em muitos casos é inconteste.
No conceito básico budista, sofremos porque nos apegamos ao que passou, ao velho. Negamos e renegamos a impermanência, ou seja, de que ninguém se banha na mesma água. Afinal de contas, a água flui, a vida passa e o rio vai ao encontro do mar.
Osho, mestre indiano que se mudou para os Estados Unidos onde morreu na década de 1980, diz que a vida é o novo, a morte é o velho. Para ele era assim e geralmente tem sido assim.
Para termos uma ideia deste confronto é só olharmos em casa, onde nossos filhos adolescentes e jovens, querendo se posicionar na vida, confrontam-nos num bonito duelo entre o velho e o novo. No trabalho este confronto muitas vezes é implacável, pois exige transformação de muitos que teimosamente insistem em se apegar ao velho.
Antigamente, quando meu pai precisava formar uma boa junta de bois para arar a terra, ele cangava um boi mais velho e experiente com um terneiro novo, forte e sem experiência. No início era difícil, logo, com um pouco de persistência o trabalho fluía.
Lembro do livro “Quem mexeu no meu queijo”, de Spencer Johnson, onde Hem, o personagem apegado não se conforma que o estoque de queijo havia se extinguido. Nostálgico, ele acreditava que assim como sumiu, o estoque retornaria. Jamais retornou.
Digo isso para contextualizar o que vi recentemente nas praias de Florianópolis, onde, há anos, os pescadores, no final do outono e início do inverno, aguardam a entrada das tainhas. Fazendo o caminho da ilha, observei a cada praia, homens olhando fixamente para o mar numa repetição do velho que vem desde os pais, avós, bisavós, tataravós...
Contudo, penso que um dos segredos da nossa existência é justamente a convivência pacífica entre o novo e o velho. E na singeleza e simplicidade dos pescadores pude perceber isso.
Lembro que há anos, o olheiro avisava os demais pescadores que aguardavam na praia fazendo sinal com uma bandeira. Às vezes levava um bom tempo para ser notado. Passou o tempo e as tecnologias foram mudando, a ponto de usarem, inclusive, fogos de artifício. O novo sempre se fazendo presente.
Contudo, nos dias atuais, o novo veio com o mais novo e agora, ao invés de bandeira, de foguetes, os pescadores têm o celular. Por intermédio do telefone, os olheiros podem dar mais detalhes da localização, da quantidade de peixe e assim, os pescadores em terra, podem executar com mais eficácia suas atividades.
Um bom exemplo onde o novo e o velho convivem em harmonia e um em benefício do outro.
É assim como o mundo me parece hoje. E você, o que pensa sobre o novo e o velho?
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Artigo veiculado na Rádio Som Maior Premium no dia 08/12/2011 e publicado no Jornal A Tribuna no dia 09/12/2011