Retornando ao Caminho
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Em 2007 fiz o Caminho francês de Santiago. Foram cerca de 800 km de Roncesvalles a Santiago de Compostela, vencidos em 30 dias. Neste ano, caminhei com o amigo Mhanoel Mendes, oportunidade que, inclusive, escrevemos a dois corações e quatro mãos um livro, o “Compostela – Muito além do Caminho de Santiago”, com edição esgotada.
Em 2009, voltei à trilha centenária da Europa, dessa vez com minha companheira Albany. Partimos dia 17 de maio de León e, ao contrário da primeira vez, decidimos caminhar 328 km.
O que gostaria de compartilhar neste comentário de hoje é que embora fosse o mesmo trajeto, o caminho foi totalmente diferente. No dizer de Heráclito, “não nos banhamos duas vezes no mesmo rio”, já que nem o rio nem quem nele se banha é o mesmo em dois momentos da existência.
E realmente eu era outro, o tempo era outro, o caminho era outro. Desta vez as cerejas estavam maduras, no caminho havia muito mais flores e a temperatura mais amena, afinal era primavera. Pior? Melhor? Não dá pra afirmar, mas era diferente!
Algumas pessoas me perguntaram. Já inventaram a bicicleta, o automóvel, trem, avião, por que caminhas tanto?
E eu tenho respondido com dificuldades. Porque conhecer o caminho por intermédio da internet, dos livros, dá para ter uma pequena noção, mas viver o caminho somente dormindo em albergues, colocando uma mochila de 7 quilos nas costas e caminhando 25, 35 ou 42 km por dia é bem diferente. E quando as forças físicas já não correspondem mais, as emoções afloram, passamos a viver sentimentos desconhecidos que jamais sentiríamos em um automóvel.
Morfeu, no filme Matrix, é mais pontual quando fala para Neo: “Uma coisa é conhecer o caminho, outra coisa é percorrer o caminho”.
O caminho das coisas, da coisificação eu já conheço um pouco e passei mais de trinta anos na corrida do ouro; não é mais só atrás disso que estou. Minha busca hoje também é pelo sutil.
É como entrar na toca do coelho, entrar no desconhecido e submeter-se a isso. É emoção atrás de emoção. Quem dera se essas portas se abrissem para mim de novo, de novo e de novo. E hoje vivo agradecendo ao caminho por ter me revelado tantos sentimentos que eram desconhecidos por mim.
É assim como o mundo me parece hoje. E você, o que pensa sobre o seu caminho?
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Artigo veiculado na Rádio Som Maior Premium no dia 27/05/2011 e publicado no Jornal A Tribuna no dia 28/05/2011