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Beto Colombo

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Trabalho X Emprego

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Nossas vidas são cheias de encruzilhadas. E qual caminho seguir? 

Uma decisão, muitas vezes, significa uma vida, disse Manoel, referindo-se ao episódio em que a delegação do Grêmio não tomou o avião que se acidentou em Congonhas. Mas se uma decisão vale uma vida, o que dizer de uma indecisão?

É comum ouvirmos jovens falando de suas indecisões sobre que curso escolher no vestibular. Que tempo angustiante. Quantos de nós levantamos de manhã e o primeiro pensamento, a primeira expressão que nos vem à mente é “lá vou eu de novo para a luta”. 

Alguns de nós têm a concepção de trabalho ligada a um ato negativo. Talvez pela origem da palavra, do substantivo tripalium, que nada mais é do que um aparelho de tortura formado por três paus, ao qual eram amarrados os condenados, ou os animais difíceis de ferrar.

Outros autores referem-se a trabalho como uma espécie de chicote, formado por três cordas, com pedras ou metais nas pontas. Daí decorre a associação de trabalho a sofrimento, tortura, pena, labuta. 

A maior parte das pessoas vincula trabalho a sofrimento, sacrifício, uma noção que provém, sobretudo, da Bíblia, na parte do Antigo Testamento: “Ganharás o pão com o suor do teu rosto”. Esse modo de pensar e agir era predominante na Idade Média. Hoje, porém para mim, o trabalho deve ser visto como algo positivo, meio pelo qual temos a chance de aplicar e desenvolver nossa capacidade, elemento imprescindível na construção da pessoa e, portanto, fundamental para o alcance de sua felicidade.

O grande problema é que existem muitas pessoas exercendo a função que lhes foi atribuída ‘apenas’ para ganhar o sustento da casa, sem vocação alguma para o cargo que exercem. Essas pessoas são frustradas, tristes e irradiam energia negativa para os colegas, comportando-se como se estivessem na Idade Média. 

Sempre é bom lembrar: a troca de suas energias por dinheiro nada mais é do que emprego. E trabalho é toda ação transformadora do homem, seja atender ao telefone, fazer comida, dirigir em férias ou cuidar dos filhos. Hoje, apesar de estarmos na era do conhecimento, ainda existem empresas e empresários cujo ambiente de trabalho é como um local de tortura; assim como existem trabalhadores tristes por estarem em setores que não condizem com suas vocações. Talvez, se as empresas ou organizações realizassem testes vocacionais, fossem corrigidas muitas injustiças.

Eu sou Beto Colombo e hoje acredito nisso.
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Artigo publicado no Jornal A Tribuna em 26/11/2009.

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