Querido leitor. A história, não estória, que vou relatar hoje, foi contada pela escritora e jornalista, Lia Diskin, no Festival Mundial da Paz que ocorreu em Florianópolis.
Disse ela que um antropólogo inglês foi à África com o objetivo de estudar usos e costumes tribais. Concluída sua tarefa, aguardava o transporte que o conduziria ao aeroporto, de retorno ao lar.
Observando as crianças que brincavam, resolveu propor uma brincadeira-desafio. Criança adora desafios. Comprou doces variados e os colocou em um cesto, com um belo laço de fita, e ajeitou bem debaixo de uma árvore. Aí, chamou as crianças e lhes disse que quando ele gritasse a palavra: “Já!”, elas deveriam correr até o cesto. O vencedor ganharia todas as guloseimas que ele continha.
As crianças se posicionaram na linha demarcatória que ele desenhou no chão e esperaram pelo sinal combinado. Quando ele disse “Já!”, elas se deram as mãos e saíram correndo em direção a árvore. Chegando lá, começaram a distribuir os doces entre si e os comerem felizes. O antropólogo foi ao encontro delas e lhes perguntou porque tinham ido todas juntas se uma só poderia ficar com tudo que havia no cesto e, assim, ganhar muito mais doces.
Elas simplesmente responderam: “Ubuntu, tio. Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?” Ubuntu é uma antiga palavra africana, cujo significado é humanidade para todos. Ubuntu também quer dizer sou o que sou devido ao que todos nós somos.
Verifiquemos como, em tantas oportunidades nós mesmos, na qualidade de pais, líderes, professores, incentivamos nossos filhos a apanharem tudo que podem para si.
Ubuntu, tio; Ubuntu.
É assim como o mundo me parece hoje. E você, o que pensa sobre Ubuntu?
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Artigo veiculado na Rádio Som Maior Premium no dia 18/11/2011 e publicado no Jornal A Tribuna no dia 19/11/2011
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