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Beto Colombo

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Querido leitor, hoje vamos falar sobre vida.

Assistindo a um programa de notícias televiso na última semana, pude perceber o grande estrago que as chuvas de setembro trouxeram a boa parte do estado de Santa Catarina, principalmente as cidades próximas a Rio do Sul, Blumenau e Itajaí. Sem dúvida, imagens chocantes que nos fazem refletir sobre nossas ações como humanidade, pois boa parte destas catástrofes são resultados das ações inconsequentes do ser humano. Isso é assim para mim.

Em todos os telejornais de todos os canais a tragédia estava estampada para todo mundo ver e ouvir. Como tragédia atrai a atenção, não é?

Cheias são assim: ocorrem muitas chuvas concentrando num curto espaço de tempo. Este volume se encontra nas montanhas e vem se juntando a outras grandes quantidades e assim, vem destruindo tudo o que se mete a sua frente. Se casas, praças ou qualquer coisa que tenha sido edificado estiver as margens dos rios ou próximas deles, a probabilidade de não estarem ali depois da enchente é muito grande. Isso é simples, isso é lógico.

Mas, como sabemos, muitos teimam em permanecer nestas áreas e acabam reerguendo suas casas, reclamando das autoridades políticas que nada fazem para solucionar o problema. As construções ficarão ali até a próxima enxurrada.

Mas quero voltar a um telejornal específico, o da RBS Notícias de sexta-feira à noite.

Minha surpresa não foi que o telejornal foi praticamente todo tendo como foco as cheias em Santa Catarina. Foi justamente em uma matéria que mostrava a tragédia em Itajaí. A repórter fez o off, a passagem e até entrevistou moradores. Justamente aqui que quero me ater, pois uma das entrevistadas, chorando copiosamente, disse que tinha “perdido tudo, mas tudo mesmo. Só sobrou a vida”.

Como assim, perdeu tudo e só sobrou a vida?

Será que ela perdeu tudo ou ganhou tudo? Afinal de contas, a vida é o bem maior que cada um de nós pode ter. A vida é o pulsar da esperança, o fogo das ações, é onde tudo é possível. Sem ela, nada ocorre, nada acontece, tudo fenece.

Claro que eu entendo o que aquela senhora queria dizer: que perdeu seus móveis e até a casa. Isso é muito grave, mas essa é a parte que tem preço, não acha? De um jeito ou de outro, cama, fogão, geladeira nova, usada ou até emprestada, a gente sempre dá um jeito. Só não damos jeito para a vida, nosso bem inalienável.

Talvez, pensando aqui comigo, outro jeito de dizer seria: “Perdi meus móveis, minha casa, enfim, perdi todos os meus bens físicos, mas não perdi meu bem maior: minha vida. E, com ela, com a vida, hei de recuperar tudo novamente”.

É assim como o mundo me parece hoje. E você, o que pensa sobre a vida?
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Artigo veiculado na Rádio Som Maior Premium no dia 24/10/2011 e publicado no Jornal A Tribuna no dia 25/10/2011.
Leia artigos inéditos nesse espaço a partir de março de 2012.
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